segunda-feira, 7 de outubro de 2013
domingo, 6 de outubro de 2013
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Não sei quantas almas tenho - Fernando Pessoa
Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
terça-feira, 17 de setembro de 2013
LIÇÕES DE GÊNERO DA DISNEY
PARA REFLETIR
por Roberta Gregoli
É claro que essas prescrições de gênero não afetam somente as mulheres. Vejam este dos príncipes:
por Roberta Gregoli
Vocês já devem ter visto esse tipo de meme das princesas da Disney
circulando pela internet. Achei tão interessante que decidi compilar as
melhores frases de diferentes versões e traduzir para o português:
É claro que essas prescrições de gênero não afetam somente as mulheres. Vejam este dos príncipes:
Mesmo vendo desde quão cedo esses valores são inculcados em nós, ainda
temos que aguentar pessoas que culpam as mulheres pela vaidade e pela
competição feminina.
A conclusão é que os ideais de gênero, além de ensinados desde muito
cedo, são inalcançáveis. Para ambos os sexos. Mas às mulheres são
negados qualquer agência e talento próprio e somos incentivadas a abrir
mão de qualquer sonho ou vocação, e a passar por cima de qualquer abuso
para ficar com um homem.
É menina
"Li este texto no Jornal Folha de São Paulo (compartilhado via Face por Molise Magnabosco), e achei muito interessante a forma como o assunto gênero é abordado, a conformidade aos papéis de gênero."
É menina, que coisa mais fofa, parece com o pai, parece com a mãe, parece um joelho, upa, upa, não chora, isso é choro de fome, isso é choro de sono, isso é choro de chata, choro de menina, igualzinha à mãe, achou, sumiu, achou, não faz pirraça, coitada, tem que deixar chorar, vocês fazem tudo o que ela quer, isso vai crescer mimada, eu queria essa vida pra mim, dormir e mamar, aproveita enquanto ela ainda não engatinha, isso daí quando começa a andar é um inferno, daqui a pouco começa a falar, daí não para mais, ela precisa é de um irmão, foi só falar, olha só quem vai ganhar um irmãozinho, tomara que seja menino pra formar um casal, ela tá até mais quieta depois que ele nasceu, parece que ela cuida dele, esses dois vão ser inseparáveis, ela deve morrer de ciúmes, ele já nasceu falante, menino é outra coisa, desde que ele nasceu parece que ela cresceu, já tá uma menina, quando é que vai pra creche, ela não larga dessa boneca por nada, já podia ser mãe, já sabe escrever o nomezinho, quantos dedos têm aqui, qual é a sua princesa da Disney preferida, quem você prefere, o papai ou a mamãe, quem é o seu namoradinho, quem é o seu príncipe da Disney preferido, já se maquia dessa idade, é apaixonada pelo pai, cadê o Ken, daqui a pouco vira mocinha, eu te peguei no colo, só falta ficar mais alta que eu, finalmente largou a boneca, já tava na hora, agora deve tá pensando besteira, soube que virou mocinha, ganhou corpo, tenho uma dieta boa pra você, a dieta do ovo, a dieta do tipo sanguíneo, a dieta da água gelada, essa barriga só resolve com cinta, que corpão, essa menina é um perigo, vai ter que voltar antes de meia-noite, o seu irmão é diferente, menino é outra coisa, vai pela sombra, não sorri pro porteiro, não sorri pro pedreiro, quem é esse menino, se o seu pai descobrir, ele te mata, esse menino é filho de quem, cuidado que homem não presta, não pode dar confiança, não vai pra casa dele, homem gosta é de mulher difícil, tem que se dar valor, homem é tudo igual, segura esse homem, não fuxica, não mexe nas coisas dele, tem coisa que é melhor a gente não saber, não pergunta demais que ele te abandona, o que os olhos não veem o coração não sente, quando é que vão casar, ele tá te enrolando, morar junto é casar, quando é que vão ter filho, ele tá te enrolando, barriga pontuda deve ser menina, é menina.
Gregorio Duvivier é ator e escritor. Também é um dos criadores do portal de humor Porta dos Fundos.
terça-feira, 18 de junho de 2013
E daqui, para onde vamos?
Li este artigo e penso que vale a pena ser compartilhado...Uma boa reflexão!!!
imagem: Facebook - Renato Aroeira
Hoje participei da manifestação que
ocorreu em Belo Horizonte e sinto-me à vontade para dizer algo: Geraldo
Alckmin conseguiu o que queria e entrou para a História do Brasil. Não
como sonhava entrar, mas seu nome já está garantido ao menos como nota
de rodapé nos livros didáticos.
Explico: até a noite de quinta-feira, 13
de junho, o movimento que ocorria pontualmente ao redor do Brasil em
protesto ao aumento das passagens de ônibus era algo relativamente
difuso, sem muito potencial para crescimento. Havia duas opções de
desfecho: as passagens seriam reduzidas (como ocorreu em Porto Alegre) e
tudo voltaria ao normal ou eventualmente a negativa das empresas e do
governo deixaria claro que nada poderia ser feito quanto à questão. No
entanto, a partir do instante em que Alckmin agiu como Alckmin (e Serra)
e ordenou que a PM reprimisse a manifestação popular com força
desproporcional, catalisou um processo que talvez levasse um tempo
infinitamente maior para se cristalizar. Ninguém gosta de um bully
– e o governo tucano, como já havia se mostrado em tantas outras
ocasiões (com professores da rede pública, estudantes da USP, habitantes
do Pinheirinhos e até mesmo com a Polícia Civil), não hesita em se
entregar ao bullying sempre que questionado.
Desta vez, porém, Alckmin errou feio seu
cálculo e criou um monstro que se espalhou por todo o país. A partir de
quinta-feira, a questão definitivamente já não girava mais em torno de
20 centavos ou mesmo do transporte público livre; era uma questão de
cidadania. E, como tal, deixou também de ser algo contra o governo
tucano ou a prefeitura petista, passando a ser um grito de revolta
generalizado, um berro de “chega!”.
Mas “chega” o quê?
E foi esta pergunta que vi tantos jovens
se fazendo durante o manifesto em BH – mesmo que não percebessem o
questionamento. Assim, voltei para casa feliz por testemunhar o
despertar de uma juventude repleta de potencial, mas também inquieto por
perceber claramente que ela não tem ainda uma ideia muito clara do que
está fazendo ou de como prosseguir.
O que resulta numa combinação muito, muito perigosa.
(Aqui peço licença para um breve
flashback pessoal para estabelecer por que me julgo detentor de certa
experiência para discutir a questão: em 1992, depois de fundar e
presidir por dois anos o grêmio do colégio no qual estudava – Promove
Savassi -, fui eleito em assembleia estudantil como líder do movimento
secundarista no Fora Collor. Como tal, participei da organização das
manifestações em Belo Horizonte, discursei em carro de som na Praça da
Liberdade e na Praça Sete e fui o rosto de meus colegas sempre que uma
entrevista à imprensa era necessária – e certamente há fitas embaraçosas
nas emissoras mineiras que trazem meu rosto moleque tentando parecer
sério enquanto discute os motivos que tornavam necessária a saída do
Presidente. Na época, fui um dos estrategistas do movimento em Minas,
ajudando a decidir datas, locais e focos de protesto – e mais tarde
presidiria o DA da faculdade até abandonar o movimento estudantil ao
perceber que precisava me focar nos estudos. Não sou, portanto, um mero
palpiteiro, creio eu. Fim do flashback.)
Ao caminhar entre a multidão de milhares
de pessoas neste sábado, percebi duas coisas muito óbvias: uma imensa
empolgação e uma preocupante falta de foco.
A primeira é fácil compreender: há anos a
juventude não ia às ruas – e, como toda geração, eventualmente era
inevitável que ela se questionasse acerca de sua própria revolução. A
geração anterior teve o “Fora Collor!”; antes dessa, houve a luta contra
a Ditadura. O que a geração pós-anos 90 tinha para protestar, porém?
Quando e como poderia extravasar o impulso rebelde que faz parte do DNA
jovem e que é algo tão belo e fundamental para o avanço da Humanidade?
Os últimos dias trouxeram esta
oportunidade – e não é à toa que um jovem amigo pelo qual tenho imenso
carinho me enviou uma mensagem por telefone na qual dizia, em parte,
“estar em êxtase” após a passeata. Como não estaria? Lembro-me de meus
dias de líder estudantil e ainda sinto o calor nostálgico da sensação de
dever cumprido: como tantos antes de mim, eu estava deixando minha
marca na História.
É um sentimento lindo, único, precioso. E
sinto-me privilegiado por ter testemunhado o brilho que este trouxe aos
olhos de tantos jovens hoje em Belo Horizonte. Eu olhava ao meu redor e
via este êxtase em todos os rostos lisos que me cercavam – e sentia a
vontade de abraçá-los com força e dizer: “Eu sei. É lindo, não é?”.
Sim, é lindo.
Mas eu também me sentia inquieto ao
observar que, ao lado da euforia, havia uma clara dispersão de
objetivos. Assim, puxei papo com vários jovens e observei atentamente os
cartazes que carregavam.
“Pela humanização das prostitutas!”
“O corpo é meu! Legalizem o aborto!”
“Fora, Lacerda!”
“Viva o casamento gay!”
“Passe Livre já!”
“Passagem a 2,80 é assalto!”
“Pelo fim da PM no Brasil!”
“Cadê a Dilma da guerrilha?”
“Fuck you, PSTU!”
“Aécio NEVER!”
“Não à Copa no Brasil!”
E por aí afora. Era um festival
desconjuntado de causas, ideologias e revoltas. Os cartazes tratavam dos
sintomas, não da doença – e ao berrarem os sintomas pelas ruas de BH em
vez de identificarem a patologia que os provocavam, aqueles jovens
pareciam felizes, sim, mas também um pouco perdidos.
Passei a caminhar silencioso pela
multidão. Sentia a energia gostosa, positiva, da ação juvenil, mas
mergulhava cada vez mais em uma reflexão preocupada sobre o que via.
Seria apenas um sinal dos tempos? Uma revolução do tempo das redes
sociais, nas quais você pode “curtir” uma mensagem, uma causa, a cada
segundo? Havia, sim, um componente de hiperlink até nos bordões
cantados pela massa: um refrão sobre os ônibus levava a outro sobre a
PM que levava a outro sobre a Copa que levava a outro sobre Lacerda que
levava a outro sobre…
… sobre o quê?
Ao chegar em casa, manifestei esta
dúvida no Twitter e alguns jovens imediatamente responderam: “Ninguém
nos representa!” e “Sim, estamos contra tudo!”.
Mas “estar contra tudo” não é ideologia.
E sem ideologia não há movimento que se
sustente. Ou, no mínimo, que se sustente de maneira consistente – o que
abre espaço para a manipulação.
Foi isto, enfim, que me angustiou profundamente.
Vivemos em tempos perigosos: a direita
religiosa se torna cada vez mais influente e as grandes empresas da
mídia já perceberam que o PSDB não é uma oposição viável – e, assim,
decidiram ser elas mesmas a Oposição. Não é à toa que, contradizendo
todos os índices econômicos divulgados por órgãos independentes, a
Globo, a Foxlha, a Veja e o Estadão vêm pintando um quadro de
instabilidade crescente: inflação alta, dólar alto, PIB decrescente e
por aí afora, pintando um país em crise que, sejamos honestos, não
corresponde ao que vemos todos os dias nas ruas.
Enquanto isso, o aliado histórico dos
movimentos populares, o PT, parece ter se esquecido de suas origens:
tímido em sua resposta à brutalidade da PM, Haddad apenas embaraçou-se
ao relativizar os excessos da polícia – e sua proposta de se reunir com
as lideranças do movimento Passe Livre vem tardio, já que estas já não
representam mais as massas na rua. Enquanto isso, Dilma é vaiada num
estádio lotado por representar o poder – mesmo que, há pouco tempo,
tenha oferecido subsídios justamente para diminuir as passagens de
ônibus que, ironicamente, serviram como estopim da revolta.
Ora, se o PT não é visto mais como
representante popular pelos manifestantes (e nem tem projeto que o
aproxime da juventude) e o PSDB é claramente a mão pesada da repressão,
para onde os jovens podem se voltar? Além disso, como não têm uma causa
específica a defender, estes empolgados rapazes e moças criam um
problema impossível, já que não há solução viável que os acalme. Como
resultado, surge apenas um clima imponderável de insatisfação política
generalizada – um clima complexo, intenso, raivoso e insolúvel.
É deste tipo de contexto que nascem os golpes.
E esta não seria uma solução que desagradaria os barões da mídia – lembrem-se das manchetes dO Globo pós-golpe em 64.
Claro que esta não é a única resolução
possível para o quadro que se desenha. Uma revolução sem foco é uma
revolução em busca de um líder, de um emblema, de uma figura messiânica.
E não há, hoje, uma estrutura política mais equipada para preencher
este vácuo que a direita religiosa.
A guinada reacionário-fascista, portanto, é uma possibilidade nada absurda para este movimento que nasce tão bem intencionado.
Isto, aliás, é que me deixa tão
preocupado: os jovens que vi hoje na rua eram… lindos. Lindos. Felizes
em seu papel democrático, acreditavam estar desempenhando uma função
histórica fundamental. E estão. Mas se não surgir um foco para esta
embrionária revolução, o perigo para que ela se desvirtue e seja
cooptada pelo que temos de mais reacionário, conservador, atrasado e
estúpido é real e imediato.
E veríamos, então, a destruição dos
resultados trazidos por dez anos de um projeto político voltado de forma
inédita para o crescimento social dos miseráveis. Ninguém duvida que,
do ponto de vista social, o Brasil de 2013 seja infinitamente melhor que
o de 2003. Mas se esta massa juvenil maravilhosa não encontrar o foco
necessário, corremos um grande risco de regressarmos a 1993.
Foi isto, afinal, que me deixou tão triste após uma tarde de alegria ao lado daqueles admiráveis jovens.
terça-feira, 7 de maio de 2013
Por que precisamos estar sempre conectados?
A internet e as tecnologias de comunicação são conhecidos pelos
alunos. Aproveite a familiaridade com o tema e discuta a necessidade de
conexão permanente que vivemos hoje.
Objetivos
- Entender o impacto das tecnologias de comunicação na vida cotidiana.
- Refletir sobre a dependência e uso excessivo dos recursos de conectividade.
Conteúdos
- Internet
- Relações sociais
Anos
Ensino Médio
Tempo estimado
Três aulas
Materiais necessários
- Cópias da reportagem "Desligue o celular e curta os amigos" (Veja, 30 de maio de 2012) para todos os alunos.
Flexibilização
Para alunos com deficiência intelectual
Produza uma espécie de "museu" da comunicação com imagens ou objetos que linearizem a comunicação desde os sinais de fumaça até os aparelhos eletrônicos mais modernos. Proponha também dinâmicas aos alunos, pedindo que comuniquem-se em pares ou trios por meio de desenhos ou mímicas.
Introdução
A disseminação das tecnologias de comunicação e da Internet modificou drasticamente a interação interpessoal nas sociedades ocidentais contemporâneas. Atualmente, essas tecnologias fazem parte de uma grande parte das atividades profissionais, recreativas e até mesmo afetivas das pessoas. Apesar de todas as vantagens oferecidas, é possível perceber também alguns efeitos negativos como, por exemplo, a crescente "dependência" da conectividade na vida cotidiana.
A partir da reportagem de Veja, discuta as implicações deste fenômeno e estimule a reflexão crítica entre os alunos, destacando o que influencia nossa crescente necessidade de conectividade.
Leia mais Ações coletivas na internet
Leia mais Os usos sociais da internet: conexão insegura
Desenvolvimento
1ª aula
Inicie com uma conversa informal para avaliar o quanto e como seus alunos estão conectados. Para estimular a discussão, pergunte se usam mensagens de celular, Internet, redes sociais e e-mails. Procure descobrir a importância destas formas de comunicação para a realização das atividades escolares e de recreação da turma. Por exemplo, indague se usam mensagens de celular ou de recados nas redes sociais para combinar uma ida ao cinema ou para organizar trabalhos em grupo.
Em seguida, distribua cópias da reportagem de Veja e realize uma leitura dirigida. Pergunte o que pensam sobre a prática de "phone stacking" descrita na matéria. Eles conseguiriam encarar o desafio? Esta é uma atitude necessária ou exagerada? Algum dos alunos já teve alguma experiência curiosa ou desagradável por causa do uso excessivo de celulares ou tablets em ambientes coletivos?
Encerre a primeira aula com uma pequena tarefa. Os alunos deverão escrever um texto curto, respondendo estas perguntas:
1) Qual o lado bom das tecnologias de comunicação atuais?
2) Qual o lado ruim e como ele pode ser solucionado?
3) Como seria o mundo sem celulares e Internet? Quais as práticas sociais que caíram em desuso? Que atividades voltariam a ser valorizadas? As pessoas estariam mais ou menos próximas?
Incentive os alunos a usarem a criatividade! Vale pesquisar em revistas, livros e até conversar com os pais para saber como era a vida de um estudante "antigamente", sem computador ou celular.
2ª aula
Comece a aula perguntando como foi o trabalho e peça que os alunos compartilhem dúvidas e questionamentos. Em seguida, faça uma exposição sobre alguns dos aspectos sociológicos da conectividade atual, utilizando o texto de apoio a seguir:
Os computadores pessoais, smartphones e tablets atuais são alguns dos produtos mais recentes de uma trajetória de inovação que começou no período Pós-guerra e intensificou-se com os avanços da micro eletrônica e, nos anos 1980, com o surgimento dos computadores pessoais. Duas características importantes destas inovações são a crescente redução dos custos para sua produção e a ampliação da capacidade de processamento e armazenamento de dados. Sem essas tecnologias, não viveríamos em um mundo tão "conectado" quanto o nosso.
Por que navegar na Internet pode ser tão viciante?
A forma de apresentação de conteúdos e informações na Internet é relativamente inédita. A world wide web não é organizada de forma linear como, por exemplo, um livro, com começo, meio e fim. Os hyperlinks são organizados em forma de rede - um documento pode encaminhar o usuário para outros diversos documentos, inclusive de forma recursiva. Além disso, os conteúdos são atualizados frequentemente. Com isso, a experiência de navegação em textos, imagens e vídeos pode ser realmente infinita.
Por que sentimos que temos que responder de imediato o SMS que acabou de chegar?
Algumas das formas de comunicação mediadas por tecnologias atuais carregam em si obrigações de reciprocidade. Isto é, elas demandam do receptor da mensagem alguma ação ativa, na forma de resposta ou diálogo. Mesmo um comentário em uma foto em uma rede social pode demandar implicitamente uma resposta. Como enxergamos a "vida digital" como uma extensão da vida real, uma mensagem ou e-mail não respondido pode ter consequências práticas verdadeiras. A disseminação e popularização das tecnologias de comunicação fizeram com que passássemos a carregar nossas "obrigações" o tempo todo, em todos os lugares.
- Entender o impacto das tecnologias de comunicação na vida cotidiana.
- Refletir sobre a dependência e uso excessivo dos recursos de conectividade.
Conteúdos
- Internet
- Relações sociais
Anos
Ensino Médio
Tempo estimado
Três aulas
Materiais necessários
- Cópias da reportagem "Desligue o celular e curta os amigos" (Veja, 30 de maio de 2012) para todos os alunos.
Flexibilização
Para alunos com deficiência intelectual
Produza uma espécie de "museu" da comunicação com imagens ou objetos que linearizem a comunicação desde os sinais de fumaça até os aparelhos eletrônicos mais modernos. Proponha também dinâmicas aos alunos, pedindo que comuniquem-se em pares ou trios por meio de desenhos ou mímicas.
Introdução
A disseminação das tecnologias de comunicação e da Internet modificou drasticamente a interação interpessoal nas sociedades ocidentais contemporâneas. Atualmente, essas tecnologias fazem parte de uma grande parte das atividades profissionais, recreativas e até mesmo afetivas das pessoas. Apesar de todas as vantagens oferecidas, é possível perceber também alguns efeitos negativos como, por exemplo, a crescente "dependência" da conectividade na vida cotidiana.
A partir da reportagem de Veja, discuta as implicações deste fenômeno e estimule a reflexão crítica entre os alunos, destacando o que influencia nossa crescente necessidade de conectividade.
Leia mais Ações coletivas na internet
Leia mais Os usos sociais da internet: conexão insegura
Desenvolvimento
1ª aula
Inicie com uma conversa informal para avaliar o quanto e como seus alunos estão conectados. Para estimular a discussão, pergunte se usam mensagens de celular, Internet, redes sociais e e-mails. Procure descobrir a importância destas formas de comunicação para a realização das atividades escolares e de recreação da turma. Por exemplo, indague se usam mensagens de celular ou de recados nas redes sociais para combinar uma ida ao cinema ou para organizar trabalhos em grupo.
Em seguida, distribua cópias da reportagem de Veja e realize uma leitura dirigida. Pergunte o que pensam sobre a prática de "phone stacking" descrita na matéria. Eles conseguiriam encarar o desafio? Esta é uma atitude necessária ou exagerada? Algum dos alunos já teve alguma experiência curiosa ou desagradável por causa do uso excessivo de celulares ou tablets em ambientes coletivos?
Encerre a primeira aula com uma pequena tarefa. Os alunos deverão escrever um texto curto, respondendo estas perguntas:
1) Qual o lado bom das tecnologias de comunicação atuais?
2) Qual o lado ruim e como ele pode ser solucionado?
3) Como seria o mundo sem celulares e Internet? Quais as práticas sociais que caíram em desuso? Que atividades voltariam a ser valorizadas? As pessoas estariam mais ou menos próximas?
Incentive os alunos a usarem a criatividade! Vale pesquisar em revistas, livros e até conversar com os pais para saber como era a vida de um estudante "antigamente", sem computador ou celular.
2ª aula
Comece a aula perguntando como foi o trabalho e peça que os alunos compartilhem dúvidas e questionamentos. Em seguida, faça uma exposição sobre alguns dos aspectos sociológicos da conectividade atual, utilizando o texto de apoio a seguir:
O QUE EXPLICAR PARA A TURMA
Quais as condições técnicas e sociais que possibilitaram o mundo conectado em que vivemos? Os computadores pessoais, smartphones e tablets atuais são alguns dos produtos mais recentes de uma trajetória de inovação que começou no período Pós-guerra e intensificou-se com os avanços da micro eletrônica e, nos anos 1980, com o surgimento dos computadores pessoais. Duas características importantes destas inovações são a crescente redução dos custos para sua produção e a ampliação da capacidade de processamento e armazenamento de dados. Sem essas tecnologias, não viveríamos em um mundo tão "conectado" quanto o nosso.
Por que navegar na Internet pode ser tão viciante?
A forma de apresentação de conteúdos e informações na Internet é relativamente inédita. A world wide web não é organizada de forma linear como, por exemplo, um livro, com começo, meio e fim. Os hyperlinks são organizados em forma de rede - um documento pode encaminhar o usuário para outros diversos documentos, inclusive de forma recursiva. Além disso, os conteúdos são atualizados frequentemente. Com isso, a experiência de navegação em textos, imagens e vídeos pode ser realmente infinita.
Por que sentimos que temos que responder de imediato o SMS que acabou de chegar?
Algumas das formas de comunicação mediadas por tecnologias atuais carregam em si obrigações de reciprocidade. Isto é, elas demandam do receptor da mensagem alguma ação ativa, na forma de resposta ou diálogo. Mesmo um comentário em uma foto em uma rede social pode demandar implicitamente uma resposta. Como enxergamos a "vida digital" como uma extensão da vida real, uma mensagem ou e-mail não respondido pode ter consequências práticas verdadeiras. A disseminação e popularização das tecnologias de comunicação fizeram com que passássemos a carregar nossas "obrigações" o tempo todo, em todos os lugares.
Combinado para o uso do celular durante a aula
Os adolescentes estão o tempo todo conectados e a maioria se recusa a abandonar o celular enquanto está na escola. Não marginalize o uso do aparelho! Saiba como formular, junto dos alunos, um acordo para o uso do telefone em sala de aula
Objetivos
- Refletir sobre a
necessidade das normas e os procedimentos de legitimação que devem
propiciar ao sujeito o respeito por si próprio e pelo outro
- Discutir o uso do celular em sala de aula
- Vivenciar uma assembleia de classe
- Criar coletivamente regras sobre o uso do celular em sala de aula
Conteúdos
- Ambiente cooperativo
- Criação de regras
Anos
Ensino Médio
Tempo estimado
4 aulas
Materiais necessários
- Cartolina e caneta para a divulgação do combinado (ou computador e impressora caso a turma prefira digitar o texto) Obs: para a realização da assembleia as carteiras precisam ser dispostas em um círculo, para que todos possam se olhar
Introdução
O compromisso com a construção da autonomia pede uma prática
educacional engajada com a compreensão do desenvolvimento do aluno e a
aquisição do conhecimento. Para alcançar esse objetivo, segundo alguns
estudos, é necessário uma educação que garanta a vivência da cooperação.
É preciso lembrar sempre que o papel do educador não é
somente ensinar os conteúdos escolares, mas também dar condições para
que os alunos aprendam. O desenvolvimento de cada um pode ser rápido ou
lento, dependendo do ambiente. Por isso podemos dizer que a inteligência
e o desenvolvimento socioafetivo de uma pessoa adulta dependem muito do
que lhe foi oferecido durante sua formação, daí a necessidade de
interagir com estímulos desafiadores. Considerando esses pontos, este
plano de aula propõe uma reflexão coletiva sobre o uso do celular em
sala de aula com as turmas do Ensino Médio. O objetivo é trabalhar as
características de um ambiente escolar cooperativo e democrático, que
seja favorável à autonomia intelectual e moral.
Desenvolvimento
1ª etapa
Comece propondo uma conversa sobre o uso do celular na escola,
especialmente na sala de aula. A conversa precisa ser aberta para que os
alunos se sintam à vontade para expor que pensam. Estimule os
estudantes a apresentarem seus pontos de vista. Se a escola tem uma
regra específica sobre isso, ou se há uma lei que proíbe o uso do
aparelho (como no Estado de São Paulo), discuta o que pensam a respeito
da regra e o porquê. Finalize pedindo que os adolescentes pesquisem como
o Brasil e outros países lidam com o uso do celular na escola e peça
que tragam os resultados das pesquisas para a próxima etapa.
2ª etapa
A partir do material que os adolescentes trouxeram, organize grupos de
quatro a cinco pessoas. Os alunos deverão compartilhar seus achados e
organizar um texto. Cada grupo pode escolher a forma como achar mais
conveniente socializar essa produção, inclusive via celular se eles
assim preferirem. Após a escrita, peça que os alunos dividam suas
impressões. Faça a mediação desse momento, mas sem emitir sua opinião ou
fazer julgamentos. Esse é um momento de análise dos alunos.
3ª etapa
Discuta com a turma o que é uma assembleia de classe (caso a escola não
use esse recurso como uma prática). As assembleias destinam-se a um
momento escolar organizado para que os membros da instituição discutam
com o objetivo de melhorar a convivência e outros problemas vividos no
lugar.
Lembre que o trabalho com as regras na escola é um
aspecto pertinente a toda comunidade escolar, pois trata do bem estar de
todos. A assembleia permite que os alunos participem em muitas
situações da tomada de decisões e se sintam realmente parte desse
ambiente. É preciso alguns cuidados ao discutir e criar as normas:
- as regras não devem referir-se ao bem-estar de uma minoria, mas sim de uma maioria;
- é preciso evitar regras de respeito unilateral (não combinar:
respeitar o professor, os funcionários... e sim, respeitar as pessoas);
- uma regra não pode ferir uma lei;
- é importante ter a clareza que, quanto mais liberdade, mais responsabilidade se atribui aos alunos.
Há quatro mecanismos que devem ser utilizados ao se discutir com o
grupo os temas que precisam ser refletidos: pensar nas causas; pensar se
as soluções atuam nas causas; analisar cada solução e verificar se os
princípios são respeitados.
4ª etapa
Chegou o momento de todos decidirem, em uma assembleia, sobre o uso de aparelhos celulares na sala de aula.
Eleja
com a turma (de forma democrática) os alunos que coordenarão as
discussões, sendo que um anota a ordem da palavra e o outro organiza a
ata que sistematiza as reuniões. Você, professor, atua como mediador.
Por isso, não esqueça de favorecer reflexões pautadas em princípios de
justiça e equidade.
Ao final, é possível elaborar um cartaz ou
mesmo digitalizar um texto com a ata, informando a comunidade escolar
sobre como o tema foi discutido e quais regras foram propostas. As
regras criadas precisam ser claras sobre, por exemplo, o momento que os
celulares atrapalham o andamento de uma aula, quando podem ser utilizados
como um recurso didático da própria aula e como os professores e alunos
organizarão o uso do celular, entre outros itens.
Avaliação
Peça aos estudantes que escrevam uma autoavaliação desta sequência didática. Você pode listar algumas perguntas, como:
- De que maneira você participou das atividades?
- Quais contribuições das discussões para sua compreensão do tema proposto?
- A organização de regras sobre o uso do celular foi feita de forma democrática?
- Você gostaria de sugerir temas para a próxima assembleia?
Quer saber mais?
A organização das regras e assembleias em sala de aula: obedecer à autoridade ou aos princípios? RAMOS,
A.M.; WREGE, M.G.; VICENTIN, V.F. In: É possível superar a violência na
escola? TOGNETTA, L.R.P.; VINHA, T.P.(orgs). São Paulo: Editora do
Brasil, 2012.
Adriana de Melo Ramos
Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral da Universidade de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (campus Rio Claro) e coordenadora geral dos cursos de pós-graduação da Universidade de Franca (Unifran).
Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral da Universidade de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (campus Rio Claro) e coordenadora geral dos cursos de pós-graduação da Universidade de Franca (Unifran).
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